sexta-feira, 30 de agosto de 2013

OI VITINHO, TCHAU VITINHO! Rio de Janeiro, 29 de agosto de 2013 Prezado Vitinho. Fico impressionado como você é rápido. Seu dribles, seus chutes, sua meteórica ascensão e a imediata paixão que a torcida alvinegra sentiu por você. Mas você foi rápido demais. A torcida queria um relacionamento sério e você só quis ficar. O poeta botafoguense Vinicius de Morais dizia: “que seja eterno enquanto dure”. Pena ter durado tão pouco. Não fazem muitas rodadas, você era uma promessa questionada nas arquibancadas. Chamado de “fominha”, “afoito”, “individualista”, atuava como um potro ainda por ser domado. Com o tempo, sempre curto, foi mudando sua forma de atuar. Ouviu o conselho do velho e bom Seedorf, aprendeu a servir e não esqueceu como se chuta de longe. Calibrou a pontaria, manteve a audácia, puxou pra si a responsabilidade do jogo. E nós lá de cima das cadeiras do new Maraca reconhecemos. Gritamos seu nome. Acho que você ouviu. Esta semana começou mal pra nós. Já no domingo, fomos a Curitiba e não entramos em campo. Talvez o time tenha preferido conhecer a Ópera de Arame ou a famosa Rua 24 Horas… O pior estava por vir. A noite de segunda estourou a bomba. Vitinho foi vendido. Não acreditamos. Como podia isso? Imediatamente começamos a maldizer a diretoria. Achamos ser obra da incompetência. Depois, vimos que o problema foi dinheiro. Seu passe valorizou rápido demais, o clube não teve tempo de elevar as barreiras e por uma tranca mais forte na porta pra segurar você. Gostaríamos que nosso clube fosse rico como um Barcelona, que pagasse em dia os salários, que não estivesse imerso em dívidas fiscais e trabalhistas. E cofre vazio não para em pé. Como nos tempos da guerra fria, nosso inimigo foi um russo. Um agente duplo, travestido de empresário te convenceu de que era uma boa fugir para Moscou. Talvez tenha lhe dito que a Rússia também é Europa, como Portugal do Porto, que também lhe queria. Omitiu que o futebol da Rússia é jogado na Sibéria, onde os jogadores são esquecidos no frio e na solidão. E que você não ouvirá seu nome ser gritado pelos moscovitas, não dará autógrafos nas ruas, poucas vezes sairá do banco – não o banco onde estão depositadas as oito milhas de euros, mas aquele ao lado do campo, onde vai tilintar de frio aos 20 graus negativos. Queríamos ter gritado seu nome no jogo contra o Atlético lá em Minas, como fizemos no Maraca. Mas você foi rápido e sumiu da concentração. Não tivemos tempo sequer de nos despedirmos. Você podia ter ficado até o fim do ano, pelo menos. Certamente uma boa proposta surgiria, mas a gente teria tempo de se conhecer melhor. Ao contrário de nós, alguém não acreditava que seu talento durasse até lá. Alguém tinha pressa de faturar. Talvez tenha sido aconselhado a agarrar essa oportunidade, que outra igual não surgiria. Essa pessoa estava certa. Não teria outra igual e sim melhor, para um clube no centro do futebol mundial, um clube da Europa ocidental. Poderíamos acompanhar suas jogadas pela ESPN, cutucar o amigo e dizer: “esse aí foi criado aqui em casa”. Isso certamente não passa pela cabeça de um jovem de 19 anos. Você não terá 19 anos a vida toda. E um dia vai ter consciência da gloriosa história de que você fez parte, de forma fugaz, qual um cometa. Não somos um clube de cometas, Vitinho. Somos o clube da estrela solitária. E duvido que venha a ter no peito um símbolo tão bonito. E ninguém cala…

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

*TEYLLOR O CRAQUE QUE MORREU NO DESASTRE DE AVIAO ENTRE OS JOGADORES DO M UNITED . Taylor jogou pelos britânicos e, por duas vezes,arrombou as redes brasileiras. Em suma: — ele colaborou para umadas mais duras humilhações do nosso futebol. Não tanto o escore de4 x 2, mas as características da derrota é que ainda hoje nosenvergonham. Realmente, diante dos ingleses caímos em inibiçõesconvulsivas. O que se viu foi um pobre Brasil, sem um únicolampejo. Mas o tempo passa e eis que Taylor morre. E nós que não ovimos, que não o aplaudimos, nem o vaiamos, sentimos que Taylordeixou de ser um estranho. Sim, a morte deu-lhe a fisionomia exata,a face fidedigna, o ríctus certo. O verdadeiro rosto é o último. Ohomem da rua, que o ignorava, cochicha para os conhecidos: — “O Taylor morreu!”. Entre nós e os mortos cessam os limites de polidez,de cerimônia e de suspeita que separam os vivos uns dos outros.E há uma circunstância que parece distingui-lo de todos osoutros mortos e de todos os outros vivos: — ele marcou, como járeferi, dois gols contra nós em Wembley. Naquela ocasião, confessoque estrebuchei, de raiva cívica. Se fosse um, mas dois, logo dois!Ora, nada se compara ao ódio que, de momento, açula o torcedorsempre que o adversário põe um gol como um ovo. A fúria rompe,sobe das nossas profundezas como uma golfada atroz. Assim eu odiei Taylor quando perdemos em Wembley. Digo “eu” e acrescento: — oresto do Brasil. Cerca de dois anos depois, cai um avião, Taylormorre e há, em nós, uma transformação.Os mesmos dois gols, que outrora nos enfureceram, tecementre nós e Taylor uma relação mais cordial e mais comovida. Dir-se- * Tommy Taylor era uma das grandes promessas do futebol inglês. O jogo a que Nelsonse refere foi Inglaterra 4 x 2 Brasil, em 9/5/1956, em Wembley, no qual Gilmarpegou dois pênaltis. O desastre com o avião que conduzia o Manchester United,clube de Taylor, foi em 6/2/1958.
OLA AMIGOS,A QUANTO TEMPO HEM? MAIS ESTOU DE VOLTA AO CONVIVIO DE VOCES VOU FALAR DE UM GRANDE PERSONAGEM QUE INFELIZMENTE NUNCA SE VERA OUTRO IGUAL Garrincha fez o mundo rir. Agora ele fará você chorar. Estrela solitária - Um brasileiro chamado Garrincha conta a dramática história de um ídolo amado por uma mulher e por um povo inteiro, mas que acabou destruído por um inimigo implacável. Esta é mais que uma espantosa biografia. É um livro cheio de revelações até para os que julgavam conhecer Garrincha. Para os brasileiros de hoje, que só conhecem o seu mito, Estrela solitária será lido como um romance de paixão e desventura, tendo como cenário o Rio e o Brasil dos anos 50 e 60. Só que os personagens e os fatos são reais. Para descrever essa trajetória, Ruy Castro, autor de Chega de saudade e O anjo pornográfico, fez mais de 500 entrevistas com 170 pessoas. Garrincha renasce em Estrela solitária como um herói - um herói tragicamente humano.